Revista Exame

Uma outra forma de vender
O Rei dos Catálogos descobriu um jeito de crescer no varejo popular porta a porta — usando apenas mulheres também de baixa renda

Por Ana Flávia Cól

EXAME Aos 42 anos, a paulistana Márcia Carvalheira comanda uma rede de 10 000 vendedoras — um exército maior que o formado por empresas grandes, como o Magazine Luiza ou a Ford. Sua empresa, O Rei dos Catálogos, faturou no ano passado 6,2 milhões de reais com a venda porta a porta de cosméticos, lingeries e utensílios domésticos de marcas como Avon, Natura, Christian Gray e DeMillus. Criada há aproximadamente dez anos, depois de Márcia ter sido demitida da rede de lojas de eletrodomésticos onde trabalhava, a empresa se expandiu ao reunir debaixo de seu guarda-chuva a mão-de-obra disponível de milhares de brasileiras que viviam como ela — na economia informal. “O que ganho vem dessas mulheres, e a realidade delas é muito dura”, diz Márcia.

O Rei dos Catálogos vai buscar sua principal força de vendas onde qualquer manual de administração provavelmente desaconselharia: entre aqueles que estão fora do mercado de trabalho e com pouca ou nenhuma qualificação. Por outro lado, é gente ávida por agarrar uma chance. Por trás desse conceito há algo parecido com as idéias que deram ao bengalês Muhammad Yunus o Prêmio Nobel de Economia do ano passado. Yunus criou o Grameen Bank, instituição de microcrédito para estimular o empreendedorismo entre pessoas de baixa renda, especialmente mulheres. Márcia e Yunus compartilham a crença de que muitos indivíduos que estão fora do circuito econômico formal podem ser resgatados para a atividade produtiva. “Basta que eles encontrem uma oportunidade”, diz Márcia.

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