Quando se fala de empreendedorismo parece haver ainda uma boa dose de preconceito sobre os que começaram por necessidade em relação aos que identificaram uma oportunidade

difícil acreditar que ainda há sociedades que enxergam o empreendedorismo como um caminho alternativo, não muito nobre, ou a explicação final sobre a capacidade de uma pessoa: se está empreendendo é porque não foi capaz de se posicionar no “mundo real”. Por mais absurdas que sejam essas supostas explicações, quando a gente fala de empreendedorismo parece haver ainda uma boa dose de preconceito, um olhar mais desconfiado sobre os que começaram por necessidade em relação aos outros, aqueles que identificaram uma oportunidade.

O que não faltam são estudos sobre as motivações para empreender e vários citam que os empreendedores “por necessidade” o fazem exclusivamente por sobrevivência e têm um impacto menor, enquanto aqueles que acharam “a oportunidade” são mais orientados ao crescimento e correm mais riscos. Tais definições são, no mínimo, limitantes.

Infelizmente, essa ainda parece ser a visão também sobre o empreendedorismo feminino, ainda que a história tenha mudado nesses últimos anos. Segundo o ultimo GEM – Women’s Report 2016 – 2017, ao redor do mundo, mulheres apresentam uma probabilidade 20% maior de citarem “necessidade” como motivação, comparado aos homens. Entretanto, curiosamente, a maioria das empreendedoras cita “oportunidade” para justificar a decisão de empreender. A verdade é que tais definições parecem caber muito bem nas páginas dos estudos, mas na hora da verdade, há muito mais por trás. E a outra verdade é que, no final do dia, a motivação para empreender é apenas mais uma variável.

É por isso que a história da Marcia Carvalheira, da Rei dos Catálogos, (e de tantas outras) está ai para desafiar a teoria. Já ouviu falar dela? Não? A gente também não até conhecer como ela se lançou ao empreendedorismo, em 1997. A história inspiradora de uma ideia que surgiu por necessidade e se transformou na maior rede de venda por catálogo do Brasil.  Sabe quando tudo acontece de errado e você nem sabe o que fazer? Então, foi o que Márcia pensava quando inicio o Rei dos Catálogos. Ela e o marido perderam o emprego na mesma época e, em meio a (mais) uma crise econômica, achava que teria dificuldade em se recolocar por não ter cursado faculdade.

No desespero de gerar renda e pagar as contas, seu marido trouxe um catálogo de produtos, mas Márcia decidiu seguir um plano mais ambicioso. Logo no primeiro contato com a revendedora perguntou o que ela teria que fazer para gerar vendas que a colocasse entre as maiores vendedoras. Foi assim que Márcia resolveu colocar literalmente a boca no trombone! Saiu batendo de porta em porta na vizinhança, no melhor estilo de “vendedora de pamonha” com seu megafone, recrutando mulheres interessadas em ter uma renda extra. Em três meses, já tinha um “exército” de revendedoras.

Márcia foi buscar, de forma incansável, informação de como crescer o seu negócio e neste caminho impactou o modelo de venda direta de grandes marcas no mercado, como Natura e AVON. Recrutou outras vendedoras, criou espaço de pronta entrega de produtos e de lá para cá só cresceu. Hoje conta com mais de 10 mil revendedoras, 4 lojas próprias e diz que a necessidade foi um ingrediente poderoso no seu sucesso. A princípio, a perda do emprego parecia o fim, mas hoje só agradece. Foi a necessidade que a tirou da zona de conforto e proporcionou um crescimento pessoal e profissional muito maior.

E você, com que frequência desafia sua zona de conforto?

 

*Fernanda Moura e Taciana Mello são caçadoras de inspiração e idealizadoras do projeto The Girls on the Road

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